Os aprendizes de LE (Língua Estrangeira) e de L2 (Segunda língua), assim como os professores de línguas, não são os únicos preocupados em entender a cultura dos outros países e se beneficiar desse conhecimento de tamanha importância.
Hoje, no mundo globalizado, o entendimento das diferentes culturas tornou-se disciplina necessária, que pode facilitar interações sociais de cunho internacional, pois com o avanço da tecnologia da informação, característica específica da Globalização, (Keohane & Nye - 2000), o senso de distância entre os países diminuiu e as interações comerciais aumentaram.
Com todas essas evidências, precisa-se ampliar a importância da cultura, pois ela transcende o ensino de línguas e abrange um mundo muito maior, como nas áreas do comércio exterior, no meio diplomático, no marketing global, entre outras.
Fazendo referência às teorias de Keegan & Green (2002, p. 100), os profissionais de marketing global devem reconhecer a influência da cultura e estar preparados para responder a ela, pois a cultura, programação da mente de uma sociedade, tem influência difusa e modificadora sobre cada ambiente do mercado internacional.
Para muitos profissionais do marketing, assim como para alunos de L2, os fatores culturais se tornam um grande desafio pelo fato de eles não serem visíveis. Para superar esse problema, assim como o etnocentrismo e a miopia cultural, existem algumas normas que, Keegan & Green (2002) afirma deverem ser respeitadas para maior capacitação do indivíduo em relação à aprendizagem a respeito de outras culturas. São elas:
1) Uma atitude sábia começa com a aceitação do fato de que uma pessoa nunca entenderá completamente a si próprio nem aos outros. O ser humano é complexo demais para ser entendido. E, como disse Carl Jung , “não há mal-entendidos na natureza; eles existem na essência do que chamamos entendimento”.
2) Os sistemas de percepção são exatamente limitados. Não se vê quase nada. O sistema nervoso humano é organizado com base no princípio do feedback negativo, ou seja, o sistema de controle humano entra em ação apenas quando os sinais de estímulo se desviam do que se aprende a esperar.
3) Despende-se a maior parte do tempo, da própria energia humana, gerenciando estímulos de percepção.
4) Quando não se entende as crenças e os valores de um determinado sistema cultural e social, as coisas que se observam e experimentam podem parecer estranhas.
5) Se a pessoa quiser agir eficazmente em outra cultura, deve tentar entender suas crenças, motivos e valores, o que exige uma atitude aberta, a qual permite superar limitações de percepção com base na própria cultura.
Por meio das normas sugeridas entende-se que caso um profissional de atuação internacional ou um aluno de L2 imerso na cultura-alvo queira como foi dito, “agir eficazmente em outra cultura”, ele precisará procurar entender a segunda cultura e para isso é necessária uma “atitude aberta” ou uma atitude cultural positiva para que então os costumes, valores e crenças da cultura-alvo possam ser compreendidos por aprendizes imersos.
Outro aspecto de muita importância é entender que a nossa percepção é limitada e aquilo que geralmente é estranho à nossa cultura, de modo geral desperta em nós um feedback negativo, mas com uma atitude positiva e com a exposição à realidade muito desses sentimentos negativos poderão ser minimizados, facilitando o aprendizado da língua-alvo ou melhor interação social, seja ela comercial ou não..
C.G.Jung, Critique of Psychoanalysis, Bollingen Series XX, Princeton, N.Y., Princeton University Press, 1975, p. 228.
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