Ano 3 - Número 1 - Agosto de 2007
 
 
 
  Estrangeirismo
 

"Nada existe de permanente a não ser a mudança" (Heráclito)
 "Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo" (Ludwig Wittgenstein)


            Atualmente,  momento que a Internet tornou-se um dos principais meios de socialização, pesquisa e estudo em todo mundo é comum sentir-se estrangeiro na própria pátria. Porém, esse sentimento de cidadania globalizada requer nova compreensão de modos, costumes e hábitos culturais, sobretudo em relação à língua. Para alguns, a influência do inglês – presença esmagadora no vocabulário da informática – é uma ameaça que gera desconforto e indignação aos falantes de nossa língua materna, enquanto para outros essa é apenas uma forma de enriquecimento lingüístico, tendo em vista que acreditam também que todos os idiomas recebem influência de todos os lados e que o importante é filtrar aquilo que é conveniente. Faz-se necessário ressaltar, no entanto, que o estrangeirismo, embora visto como forma democrática de enxergar o mundo, tem sido motivo de muita discussão entre os brasileiros.
         Há cerca de dois anos o senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB), violeiro e poeta popular, foi à tribuna para atacar a influência do estrangeirismo em nossa língua. Irônico e sarcástico o parlamentar paraibano descreveu uma das manhãs hipotéticas do seu cotidiano, utilizando-se quase somente de palavras estrangeiras. Dizia, dentre frases e expressões faladas no Brasil, que a manhã terminava com ele abrindo o freezer em busca de uma coke para combater a sede provocada pelo Cooper. Foi um discurso recheado de citações brilhantes que não ficou apenas na fala deste senador, estendeu-se até a comissão de Educação da Câmara dos deputados a qual aprovou, em março de 2001, o Projeto de Lei do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que veta o uso de expressões estrangeiras em eventos públicos, nos meios de comunicação, em estabelecimentos e produtos brasileiros, sendo toleradas apenas as palavras de origem estrangeiras que já estão integradas ao vocábulo ortográfico da língua portuguesa.
            A verdade é que essa discussão está longe de terminar, até porque passamos por um momento histórico de intensas transformações e a língua não é alheia às mudanças. Assim como as pessoas estão convencidas de que existe o certo e o errado no tocante à língua, o estrangeirismo aparece como um novo comportamento paradigmático das elites, instalando-se muito além das fronteiras das normas gramaticais. Felizmente, desta vez a discussão está ganhando maior repercussão por haver aqueles que argumentam, com razão, que determinado estrangeirismo revigora a língua, tornando-a mais rica. Joga neste time Pasquale Cipro Neto, colunista da folha de São Paulo e um dos mais renomados consultores de português do país. Para o consultor são expressões das quais não se pode fugir neste mundo globalizado, mas existem casos de pura tolice, como por exemplo, lojas que preferem usar termos em inglês quando não há necessidade do mesmo. Existem outras opiniões a propósito do assunto que diferem em grande escala da anterior como é o caso do professor de língua materna César Boschetti que afirma: Usar estrangeirismo sem necessidade real, pautado apenas na suposição absurda de ser chique é pura ignorância ou total desprezo pelas origens. Estas e outras afirmações são de grande importância para que o verdadeiro interessado no assunto tome uma posição concreta a respeito.
            Na verdade, as classes menos favorecidas são as que mais usam os estrangeirismos em função das mercadorias e dos produtos vendidos no segundo setor.
            É importante, portanto, que aqueles que fazem parte do processo decisório do país estejam atentos às questões que envolvem essas pessoas, pois independente de ferir ou não a língua materna a globalização e os meios de comunicação, com ênfase aos canais televisivos abertos, é que irão “definir” se esse ou aquele termo entrará em uso ou não.
            Assim, faz-se necessário ressaltar que o cidadão, neste caso o brasileiro, deve estar apto a reconhecer as vantagens e as desvantagens em relação ao emprego do estrangeirismo.

 
 
 
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