Há muitos anos, Dr. João Herculino contou-nos o seu grande sonho, nascido ao visitar a Universidade de Oxford. Passeando pelo campus, aconchegado ao mesmo tempo em que assombrado pelas árvores seculares, os musgos e as heras em seus muros, envolvido pelo ruído quase palpável do saber e pelo cheiro efervescente da busca do conhecimento, viu-se no CEUB, recebendo pessoas ávidas pelo conhecer – acolhidos da mesma forma como, naquele momento, estava ocorrendo com ele. E viu...viu o CEUB: era um templo do saber, construído com o mesmo ideal que guiou a formação dos templos já consagrados: a dúvida e a busca incessante pelo conhecimento.
Esse sonho não era estranho ou estapafúrdio, pois o sonhador já se mostrara. Menino pobre sonhava e, degrau a degrau, concretizava.
Não acreditava no homem ou no grupo que fazia do poder, o seu ideal. Acreditava no homem, no grupo que construía o bem comum, que se dedicava a causas e sabia ver e viver coletivamente.
Podemos, até, lembrar do tempo em que, arriscando a vida, a liberdade, enfrentou o grande poderio de um grupo, o regime militar. Enfrentou porque acreditava no diálogo, no bom senso, nas decisões tomadas porque eram acreditadas pelo seu valor e não por serem impostas por pressões ou medos explícitos ou mascarados.
Era esse o homem que sonhava e sua vida dava crédito ao homem e a seus sonhos. E esse seu sonho, como acabaria?
Nós, que vivemos em uma cidade, a capital sonhada pelos que lutaram pela independência do Brasil e que foi vista por D. Bosco, tanto tempo antes de ela existir, poderíamos esquecer esse sonho?
Esse sonho encontrara eco. Nós, professores, quando ouvimos essa história, não sabíamos, ainda, que esse sonho era também, o nosso. Como fazem todos os professores – os professores de verdade – nossos esforços e corações estavam sempre comprometidos com o aperfeiçoamento da pessoa, da humanidade. Esse nosso compromisso era o alicerce do sonho de Dr. João, pois o nome do CEUB naquela época, já indicava a qualidade dos cursos oferecidos, o que repercute até hoje: os novos cursos já vão nascendo, também com a chancela do que fizemos naquele tempo. Que ninguém se iluda: um “nome” não é construído de um dia para o outro, haja vista as campanhas publicitárias necessárias a um produto novo ou em busca de melhor imagem para que se imponha.
Que ninguém se iluda, na educação, até o espaço geográfico sedimentado – Rio, São Paulo, Londres – ou a orientação definida, indicativa de determinados grupos como os religiosos ou públicos são facilitadores ou impeditivos do nascimento de novos nomes. Brasília, sem tradição na educação, tendo como único expoente a universidade pública, não era um campo propício, fácil a quem estava em gestação nessa área para firmar-se diante de outros centros.
Foram necessários anos de afinco ao trabalho, de dedicação, de fé, de cumplicidade para podermos chegar e expor a nossa “cara”, mas é assim que se vive um sonho.
E, se um dia pareceu muito fácil termos a estrutura necessária para nos tornarmos Centro Universitário, que ninguém se iluda. Não bastariam as condições físicas, financeiras para esse salto. Mais que tudo, importantes eram as condições pedagógicas, a qualidade que nossos professores de verdade esbanjavam em seus trabalhos. Saudosismo? Mais uma vez o engano! É constatação! O aval da nossa trajetória vem do número de alunos que recebemos nesses últimos anos e que nos relatam o seguinte: por terem seus pais, tios, avós, irmãos, parentes ou conhecidos sido nossos alunos, vindos de todos os lugares, e cursado os nossos vários cursos, sempre, atestando sua qualidade, vieram, também, fazer parte, da nossa família;
Foi esse legado que Dr. João nos deixou: a concretização, passo a passo, do sonho em ver sua família forte, frutificando em conhecimento e sabedoria, no rumo que vislumbrava..
Essa conquista deu-se pela construção realizada pelos professores e professoras, funcionários e funcionárias, pelos seus dirigentes, por mentes abertas, corações e sonhos entrelaçados, com trabalho e trabalho, respeito e certeza de sermos respeitados e ouvidos, pela conversa franca, pela sensibilidade em perceber o que não é dito e a segurança do amor sem medos ou receios das diferenças, pois tínhamos e temos os mesmos ideais. E são a segurança e o amor que nos acolhe e envolve que dão a dimensão da família UniCEUB.
Hoje, passados tantos anos, mais do que nunca, creio no sonho de Dr. João Herculino. Ainda, que, em muitos momentos, eu me sinta perplexa, eu gostaria de ser, constantemente, surpreendida por atos de fé, seriedade, paciência, tolerância, respeito – muito respeito, compreensão, consideração, solidariedade, partilha, despreendimento (quanto ao poder e à glória) competência e amor... De amor à humanidade, ao próximo – aqueles com quem estamos em nosso trabalho, alunos, funcionários, professores, a comunidade – amor à nossa missão: o desencadear da busca do conhecimento, do desenvolvimento do nosso aluno.
O nosso aluno... a compreensão renovada de que ele é a nossa responsabilidade primeira. Ele não é o cliente (definição muito em voga, e volto ao Dr. João, lembro Oxford e sorrio) pois, ao cliente, eu entrego o produto que ele comprou. Ao aluno eu ofereço a partilha das oportunidades, o compartilhar do processo ensino e aprendizagem: eu ensino e, como disse outro grande sonhador, Paulo Freire, de repente, eu aprendo. Ninguém pode ser o responsável único pelo aprender do outro e eu não posso entregar a meu aluno um produto final, acabado, em um pacote contendo a sua aprendizagem...
O sonho continua... Se, em muitos corações ou se em poucos, pois existem os que vivem, só, em busca do sucesso, isso não importa. O sucesso é passageiro, a educação e o que se aprendeu vivem além da vida temporal. As palavras do Dr. João Herculino, ditas uma vez e tantas vezes repetidas continuarão existindo, mesmo depois de todos nós termos passado. Elas estão guardadas na memória do mundo e serão sussurradas enquanto outros educadores sonhadores existirem. Serão murmuradas a eles, enquanto dormem, nos seus sonhos. Assim, nasceram e nascem os nossos sonhos e, assim, eles vão se tornando realidades.
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